Lisboa agora é Olinda e uma breve história dos Cobogós


“Olinda é só para os olhos,
não se apalpa, é só desejo.
Ninguém diz: é lá que eu moro.
Diz somente: é lá que eu vejo.”
Carlos Pena Filho

Porta-guardanapos Olinda

Então mudamos o nome do porta-guardanapos de Lisboa para Olinda. Por que?

Antes de explicar, vamos falar sobre cogobós. O cobogó surgiu na década de 1920 e teve seu nome oriundo da junção da primeira sílaba dos sobrenomes de seus criadores: o português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernesto August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis. É uma herança da arquitetura árabe, pois é baseado nos muxarabis, que construídos em madeira, eram utilizados para fechar parcialmente os ambientes internos, permitindo a passagem de luz e ventilação.

Muxarabis

Muxarabis em uma janela árabe. 

Apesar da inspiração na cultura árabe, esta criação nacional deu origem à diversas variações de elementos vazados originais, que difundiram-se na arquitetura brasileira no período modernista através de arquitetos como Lúcio Costa, Reidy e Niemeyer.

Adoramos cobogós, e seguindo seu propósito de iluminação dos ambientes, pensamos que são perfeitos como padrões para luminárias e lustres.

Ocorre que, na realidade, cobogós não tem nome. Existem dezenas de variações que resultam em padrões diversos, mas cada uma delas tem apenas rótulos simples, mas não nomes (vide imagem abaixo).

TIpos de cobogós

E daí? Bom, sentimos falta de nomes. Dizer que o porta guardanapos tinha um padrão "Reto Cruz" soou vazio. Meio sem graça. Daí, partimos para nomeá-lo. Então, que nome dar? Uma regra de ouro para nomear coisas e até animais é usar o primeiro nome que vier à cabeça. Geralmente este nome se manifesta de forma natural, inspirado talvez por algum aspecto que subconscientemente lhe chama a atenção. Olhando para o porta-guardanapos, o primeiro nome que veio foi Lisboa. Ele tinha cara de Lisboa. E Lisboa ficou. Ficou até agora.

Ocorre que pensando na história dos cobogós, e o fato de assim como eles o porta-guardanapos ter sido pensado e fabricado no Brasil, o nome deveria ser uma referência local, fazendo assim homenagem a história da padronagem que inspirou a sua criação e assim, por consequência, fazendo uma homenagem ao nosso país.

Nada mais justo então que beber na fonte criadora, no caso, o Estado de Pernambuco, onde os cobogós foram criados. Assim nasce agora Olinda, um porta-guardanapos que hoje faz a devida reverência ao seu passado, trazendo à mesa um pedacinho de nossa história!

 

Fonte da história dos cobogós: https://goo.gl/0S2Z4a

Imagem dos muxarabis: https://goo.gl/N9d0yH

Imagem da lista de rótulos de cobogós: https://goo.gl/vpXflr

Imagem do artesanato de Olinda, capa do post: https://goo.gl/05g5jQ